Melyssa Aryane de Oliveira1; Lucas Giansante Abud1,2; Rino Agostinho Munari Raposo2; Rubens Pereira Moura Filho1
DOI: 10.5935/2965-1980.2026v5e2026037
Abstracto
O artigo descreve um caso de infiltração perineural do plexo braquial por adenocarcinoma de mama, enfatizando o papel do radiologista na detecção dessa complicação rara. A ressonância magnética, destacada como o método de escolha, auxilia na avaliação detalhada, contribuindo para o diagnóstico preciso de plexopatia braquial no contexto neoplásico.
HISTÓRICO CLÍNICO
Paciente do sexo feminino, 60 anos, apresentou dor no ombro esquerdo, sem histórico de neoplasia conhecida. O diagnóstico de plexopatia braquial foi realizado por meio de exames de imagem, começando com a ressonância magnética (RM) do plexo braquial, seguida de tomografia computadorizada (TC) de tórax e ultrassonografia (US) de mama, que levou à biópsia.
ACHADOS RADIOLÓGICOS
Nas imagens por ressonância magnética, se observa um aumento de sinal nas imagens ponderadas em T2 com supressão de gordura e realce nodular nas sequências póscontraste com gadolínio (Figura 1). Havia sinais de denervação muscular e espessamento do nervo acometido, além de alargamento do forame neural e perda de gordura ao redor das estruturas neurais infiltradas, características comuns de infiltração perineural (Figura 1). Este padrão é descrito como um realce espesso e nodular ao redor das estruturas neurais, sugerindo a invasão tumoral. A tomografia computadorizada, com o uso de contraste, identificou uma área amorfa com características infiltrativas ao redor dos vasos subclávios e do plexo braquial (Figuras 2 e 3). Além disso, foram observados nódulos pulmonares e lesões líticas no esterno, compatíveis com metástases. Naultrassonografia da mama esquerda, foi identificada uma lesão sólida expansiva, com margens irregulares e classificação BIRADS 5 (Figura 4). O exame anatomopatológico subsequente confirmou adenocarcinoma mamário invasivo, positivo para receptor deestrogênio e negativo para HER2 (Figura 5).
DISCUSSÃO
A infiltração perineural no adenocarcinoma de mama é uma via incomum de disseminação tumoral, mas sua presença pode levar a complicações graves, como a plexopatia braquial. Os pacientes costumam apresentar dor, fraqueza e alterações sensoriais, sintomas que podem ser facilmente atribuídos a outras causas, como efeitos da quimioterapia ou plexopatias inflamatórias. A ressonância magnética tem um papel fundamental no diagnóstico de plexopatias não traumáticas, uma vez que permite a visualização detalhada das estruturas neurais e musculares, ajudando a diferenciar entre fibrose por radiação e infiltração tumoral direta. Em pacientes com câncer de mama, a disseminação perineural pode ocorrer devido à proximidade do plexo braquial com as vias de drenagem linfática da axila. A tomografia computadorizada complementa a RM ao avaliar lesões ósseas e comprometimento vascular, como visto neste caso, onde houve envolvimento dos vasos subclávios e a identificação de áreas líticas no esterno. A ultrassonografia, embora tenha um papel menos importante na avaliação da plexopatia braquial, foi essencial para detectar a lesão primária na mama, possibilitando o diagnóstico definitivo através da biópsia.
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS
Plexopatia inflamatória idiopática (neurite braquial;
Plexopatia por fibrose actínica;
Compressão tumoral extrínseca sem invasão neural;
Metástases linfonodais axilares com efeito compressivo.
O QUE APRENDI COM ESTE CASO?
A plexopatia braquial pode ser a manifestação inicial de neoplasia mamária oculta. O reconhecimento de realce nodular perineural e sinais de denervação muscular na ressonância magnética deve motivar investigação sistêmica imediata, reforçando o papel central do radiologista no diagnóstico precoce.
REFERÊNCIA
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IMAGENS
Artículo recibido en jueves, 6 de noviembre de 2025
Artículo aceptado el domingo, 22 de febrero de 2026
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