• ISSN (On-line) 2965-1980

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Puntos de vista

Gastrointestinal

Murilo Gonçalves Guardiero; Cristiane Zanqueta; Luisa Rodrigues de Oliveira Saramago

DOI: 10.5935/2965-1980.2026v5e20260117

Abstracto

Paciente de 76 anos, com dengue confirmada e insuficiência cardíaca, apresentou dor abdominal súbita. A ultrassonografia e tomografia revelaram colecistite alitiásica com descontinuidade parietal fúndica e coleção perivesicular. O diagnóstico de colecistite aguda perfurada (Niemeier tipo II) foi firmado, sendo tratada com colecistostomia percutânea e antibioticoterapia.

HISTÓRICO CLÍNICO

Paciente masculino, 76 anos, com diagnóstico prévio de Dengue, admitido com dor intensa em hipocôndrio direito, defesa abdominal e sinal de Murphy positivo. Possuía antecedentes de hipertensão, diabetes mellitus tipo 2 e insuficiência cardíaca descompensada. Apresentava leucocitose importante e vômitos em “borra de café”.

 

ACHADOS RADIOLÓGICOS

A ultrassonografia (US) de abdome evidenciou vesícula biliar com dimensões no limite superior da normalidade, paredes espessadas e área focal de perda da continuidade parietal na região fúndica, associada a uma coleção adjacente organizada. Não foram observados cálculos. A tomografia computadorizada (TC) de abdome confirmou o espessamento parietal, realce marginal da coleção perivesicular e ausência de litíase radiopaca, selando o diagnóstico de colecistite aguda acalculosa complicada com perfuração e abscesso bloqueado (Figuras 1 a 5).

 

DISCUSSÃO

A colecistite acalculosa aguda representa 2-15% das colecistites agudas, ocorrendo tipicamente em pacientes críticos [1]. No cenário epidemiológico brasileiro, a Dengue surge como um gatilho relevante [2]. A disposição fisiopatológica na Dengue envolve extravasamento plasmático e resposta inflamatória sistêmica, que podem causar isquemia da parede biliar [3]. Neste caso, a hipoperfusão sistêmica pela insuficiência cardíaca e a microvasculopatia diabética potencializaram a necrose transmural. A perfuração da vesícula biliar é uma complicação grave, com alta mortalidade. Segundo a classificação de Niemeier, este caso enquadra-se no Tipo II (perfuração subaguda com abscesso perivesicular circunscrito) [4]. A imagem é fundamental, pois a clínica pode ser mascarada pela gravidade da doença de base. Enquanto a US é o método inicial de escolha para avaliar o espessamento e a descontinuidade da parede, a TC oferece melhor caracterização da extensão da coleção e exclusão de diagnósticos diferenciais [5,6]. A ausência de crescimento bacteriano na cultura de bile reforça a etiologia isquêmica/inflamatória em detrimento da infecciosa primária.

 

DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS

• Neoplasia de vesícula biliar (infiltrativa).

• Perfuração de úlcera péptica (gastropatia hemorrágica).

• Edema de parede biliar por Dengue (forma não complicada).

 

O QUE APRENDI COM ESTE CASO

O caso destaca que, em pacientes com Dengue e dor abdominal persistente, a imagem deve buscar ativamente sinais de perfuração. Aprendi que a colecistostomia percutânea é uma alternativa eficaz à cirurgia aberta em pacientes frágeis e com alto risco cardiovascular, permitindo o controle do foco inflamatório de forma minimamente invasiva.

 

REFERÊNCIAS

1. Siqueira VS, Ambrósio AVA, Cunha PF, et al. Colecistite alitiásica aguda: revisão de literatura. Rev Med Minas Gerais 2012; 22:59-62.

2. Leite CRC, Farias TP, Brasileiro L, et al. Colecistite aguda alitiásica. Clin Biomed Res 2000; 20:1.

3. Araújo PC, Figueiredo BQ, Souza BF, et al. Achados de imagem na colecistite aguda, suas complicações e tratamento. Res Soc Dev 2022; 11:e332111234801.

4. Anderson BB, Nazem A. Perforations of the gallbladder and cholecystobiliary fistulae: a review of management and a new classification. J Natl Med Assoc 1987; 79:393-399.

5. Kim PN, Lee KS, Kim IY, et al. Gallbladder perforation: comparison of US findings with CT. Abdom Imaging 1994; 19:239-242.

6. Ergul E, Gozetlik EO. Perforation of gallbladder. Bratisl Lek Listy 2008; 109:210-214.

 

IMAGENS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Artículo recibido en lunes, 25 de mayo de 2026

Artículo aceptado el jueves, 6 de agosto de 2026

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