Dados do Caso

Radiologia Pediátrica

ACHADOS DE IMAGEM TÍPICOS DA VÁLVULA DE URETRA POSTERIOR

229
Ensino
Tipo Caso 1
  • MARINA CRISTINA AKURI - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO - UNIFESP - ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA
  • RODRIGO REGACINI - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO - UNIFESP - ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA
RAQUEL NASCIMENTO LOPES - UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO - UNIFESP - ESCOLA PAULISTA DE MEDICINA
Email: LOPESRAQUELN@GMAIL.COM
19/10/2020
28/03/2021
Masculino , 0 anos
Anormalidades Congênitas, Uretra

Resumo

Criança do sexo masculino, 4 meses de vida, apresentando infecções urinárias de repetição e jato urinário fraco desde o nascimento. Em investigação diagnóstica pós-natal, apresentava ultrassonografia com aumento das dimensões do rim direito, sinais de hidronefrose e bexiga de esforço. Uretrocistografia Miccional demonstra falha de enchimento com dilatação à montante do segmento uretral posterior, compatível com membrana, além de dolicomegaureter à direita.

Histórico Clínico

Paciente masculino, 4 meses de vida, apresentando infecções urinárias de repetição e jato urinário fraco desde o nascimento, sem febre ou hematúria. Diagnóstico intraútero de hidronefrose à direita. Sem demais comorbidades.

Achados Radiológicos

Ultrassonografia dos rins e vias urinárias demonstra rim esquerdo de características normais. Rim direito de contornos lobulados e dimensões aumentadas, com parênquima afilado à custa de dilatação dos cálices menores, maiores e da pelve renal (figuras 1 e 2). Nota-se ainda dilatação e tortuosidade do ureter em toda sua extensão (figura 3). Bexiga com capacidade reduzida, com espessamento e irregularidade difusa das suas paredes (figura 3). Uretrocistografia Miccional apresenta falha de enchimento no segmento uretral posterior associada à dilatação à montante e transição abrupta de calibre entre a uretra posterior e o segmento anterior, compatível com membrana (figura 4). Dolicomegaureter à direita (refluxo vesicoureteral acentuado) - figuras 3 e 4. Ausência de refluxo vesicoureteral à esquerda.

Discussão

A válvula de uretra posterior é uma condição congênita, exclusiva do sexo masculino, ocasionada pela formação de uma membrana uretral com mecanismo de válvula, remanescente dos ductos de Wolff - falha de regressão dos ductos mesonéfricos. É a causa mais comum de obstrução do trato urinário baixo em fetos (1). O diagnóstico pode ser realizado no período antenatal, através de achados ultrassonográficos como oligoâmnio, distensão vesical do feto e hidronefrose, ou ainda após o nascimento pela clínica de infecções do trato urinário de repetição e esforço miccional com características de imagem compatíveis como as supracitadas. Refluxo vesicoureteral uni ou bilateral está frequentemente associado. Esta condição pode estar associada a outras malformações (cardíaca, VACTERL) e o grau de acometimento renal associado à patologia é variável (2). O método diagnóstico pós-natal de escolha é a uretrocistografia miccional, cujos achados podem ser de alongamento e dilatação da uretra posterior e ocasionalmente pode ser visualizada a membrana ao método. Alterações vesicais são frequentemente associadas, como por exemplo capacidade reduzida, espessamento parietal, trabeculações e por vezes divertículos vesicais, achados relacionados a bexiga de esforço pela obstrução da uretra posterior (3, 4). A ultrassonografia pós-natal é capaz de detectar os sinais de bexiga de esforço supracitados, hidronefrose uni ou bilateral, bem como a dilatação da uretra posterior que pode ser também visualizada através da avaliação perineal (2, 5). Como diagnósticos diferenciais, podem ser citados malformação cloacal, válvula de uretra anterior - condição rara, de explicação embriologia incerta, dentre outros (1).

Lista de Diferenciais

  • Malformação cloacal
  • Válvula de uretra anterior
  • Síndrome de Prune-Belly

Diagnóstico

  • Válvula de uretra posterior

Aprendizado

O caso é extremamente ilustrativo e demonstra a história clínica e achados de imagem típicos para o diagnóstico de válvula de uretra posterior.

Referências

  • Berrocal T, López-Pereira P, Arjonilla A, Gutierrez J. Anomalies of the Distal Ureter, Bladder, and Urethra in Children: Embryologic, Radiologic, and Pathologic Features. RadioGraphics 2002; 22:1139 –1164.
  • Levin TL, Han B, Little BP. Congenital anomalies of the male urethra. Pediatr Radiol. 2007 Sep; 37(9): 851–862.
  • Chatterjee SK, Banerjee S, Basak D, et al. Posterior urethral valves: the scenario in a developing center. Pediatr Surg Int 2001; 17:2–7
  • Cremin BJ. The “spinnaker sail” appearance of the posterior urethral valve in infants. J Can Assoc Radiol 1975: 26:188 –196.
  • McAlister WH. Demonstration of the dilated prostatic urethra in posterior urethral valves patients. J Ultrasound Med 1984; 3:189 –190

Informações do Caso

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