Dados do Caso

Genital (Feminino)

METAPLASIA ÓSSEA ENDOMETRIAL

130
Ensino
Tipo Caso 1
  • JORGE GILBERTO CASTRO DO VALLE FILHO - CLÍNICA DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA.
  • Larissa Bregalda - CLÍNICA DE DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA.
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25/04/2020
28/03/2021
Feminino , 38 anos
Endométrio, Metaplasia, Células-Tronco Mesenquimais, Ossificação Heterotópica, Ultrassonografia, Histeroscopia

Resumo

A metaplasia óssea endometrial é uma condição clínica rara e subdiagnosticada caracterizada pela presença de osso maduro ou imaturo no endométrio. As manifestações clínicas mais frequentes incluem infertilidade, dor pélvica crônica e sangramento uterino anormal. A ultrassonografia mostrará formações hiperecogênicas na cavidade uterina, semelhantes à imagem formada por um dispositivo intrauterino. A histeroscopia é o exame padrão ouro, sendo útil para o diagnóstico e tratamento.

Histórico Clínico

Paciente J.F.F., feminina, branca, 38 anos, G2P1A1, HMP de curetagem uterina, parto vaginal há 2 meses com sangramento vaginal persistente de pequena monta desde então, associado a dor moderada intermitente em baixo ventre, com agudização há 2 semanas. Exame físico: dor moderada à palpação profunda em abdome inferior. Foi solicitada ultrassonografia pélvica transvaginal.

Achados Radiológicos

A ultrassonografia pélvica transvaginal evidenciou endométrio heterogêneo, com espessura de 3,0 mm, apresentando imagens hiperecoicas lineares e irregulares de permeio, a maior delas com formação de intensa sombra acústica posterior, bem como focos de adenomiose (Figura 1). Com base nos achados ultrassonográficos e na apresentação clínica, foi sugerido considerar a possibilidade de metaplasia óssea endometrial como diagnóstico diferencial. A remoção histeroscópica da lesão foi realizada e a histopatologia confirmou trabéculas ósseas maduras com endométrio proliferativo na lesão.

Discussão

A metaplasia óssea endometrial (MOE) é uma condição clínica rara e subdiagnosticada [1] com incidência estimada em torno de 3: 10.000 mulheres [2]. É descrita como uma condição patológica não neoplásica endógena, caracterizada pela presença de osso maduro ou imaturo no endométrio, associado a reação funcional cíclica. [3] Cerca de 80% dos casos ocorrem após a gravidez ou apresentam antecedentes de dilatação e curetagem; no entanto, também há relatos de associação com biópsia endocervical, DIU, instrumentação endometrial e conização. Alguns casos podem ser assintomáticos, todavia, as manifestações clínicas mais frequentes incluem: infertilidade, dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia e sangramento uterino anormal. A expulsão dos fragmentos ósseos pela via vaginal raramente ocorre; quando isso acontece, constitui um sinal patognomônico. [2,4,5] Vários outros nomes têm sido usados para descrever a MOE, como ossificação endometrial, osso intrauterino ectópico e osso intrauterino heterotópico. [3] Ossificações também foram relatadas no colo uterino, no ovário e na vagina. [1,3] Estudos indicam duas teorias para explicar essa patologia: a primeira fala a favor da retenção prolongada de ossos fetais que apresentariam reação tecidual ao redor dos fragmentos e ossificação endocondral subsequente; a segunda cita como causa um defeito na diferenciação celular de células-tronco estromais do endométrio (células mesenquimais pluripotentes), localizadas em sua camada basal, cuja função fisiológica normal é a de iniciar a regeneração do endométrio após a menstruação, que seria desencadeado por estresse oxidativo gerado pela deficiência da atividade da enzima superóxido dismutase; sendo esta última a teoria mais aceita [3,4] A história clínica e a análise genética da amostra vão diferenciar as duas alternativas. [2] O achado ultrassonográfico típico da MOE corresponde a formações hiperecogênicas situadas na cavidade endometrial com formação de sombra acústica posterior, semelhantes à imagem criada por um dispositivo intrauterino (Vídeo 1). A histeroscopia é o exame padrão ouro, mostrando espículas e fragmentos ósseos na cavidade uterina, embora a confirmação histológica seja necessária para o diagnóstico definitivo da entidade. [1-5]

Lista de Diferenciais

  • DIU (dispositivo intrauterino)
  • Restos Ovulares
  • Tumor Mülleriano misto maligno do útero (carcinossarcoma)

Diagnóstico

  • Metaplasia Óssea Endometrial

Aprendizado

A MOE é rara, mas o imaginologista deve estar familiarizado com o seu aspecto para auxiliar de forma precisa o médico assistente. O ultrassom transvaginal é importante na avaliação inicial. A histeroscopia é útil tanto no diagnóstico como no tratamento. A biópsia endometrial indicará as possíveis causas de formação de radicais livres, como a endometrite crônica. O tratamento ágil e adequado é fundamental para que as pacientes possam tratar os seus sintomas e recuperar a fertilidade.

Referências

  • 1. Patil SB, More SS, Narchal S, Paricharak DG. Endometrial osseous metaplasia: case report with literature review.: Case report with literature review. Annals Of Medical And Health Sciences Research, [s.l.], v. 3, n. 5, p. 10-12, 2013. Medknow. http://dx.doi.org/10.4103/2141-9248.121209.
  • 2. Cuenca GC, Rodríguez P. Metaplasia ósea endometrial: reporte de un caso y revisión de literatura. Repert.med.cir. 201 O; 1 9(4):284-28
  • 3. Umashankar T, Patted S, Handigund RS. Endometrial osseous metaplasia: Clinicopathological study of a case and literature review. J Hum Reprod Sci 2010; 3:102-4
  • 4. Kramer HM, Rhemrev JP. Secondary infertility caused by the retention of fetal bones after an abortion: A case report. J Med Case Rep 2008; 2:208.
  • 5. Mondragón-Cedeño AL, Miranda-Cruz AD, Parra-Duarte SA, Pare-de-Becerra E, Zðñiga-Chávez AM. Metaplasia ósea endometrial: reporte de casos y revisión de la literatura.: reporte de casos y revisión de la literatura. Revista Colombiana de Obstetricia y Ginecología, [s.l.], v. 62, n. 3, p. 255-260, 30 set. 2011. Federacion Colombiana de Obstetricia y Ginecologia. http://dx.doi.org/10.18597/rcog.214.

Informações do Caso

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