Case data

Uroradiologia e Imagem Genital Masculina

Oncologia

SARCOMA DE KAPOSI EM RIM TRANSPLANTADO

99
Ensino
Tipo Caso 1
  • Mateus Repolês Lourenço - Hospital das Clínicas da FMRP-USP
  • Jorge Elias Júnior - Hospital das Clínicas da FMRP-USP
  • Valdair Francisco Muglia - Hospital das Clínicas da FMRP-USP
VITOR VITA RICCI - Hospital das Clínicas da FMRP-USP
Email: vitor.ricci@alumni.usp.br
4/5/2020
7/21/2020
Masculino , 51 anos
Sarcoma de Kaposi, Transplante de Rim

Abstract

O Sarcoma de Kaposi (SK) é um tumor angioproliferativo multicêntrico de origem mesenquimal. Além da infecção pelo herpes vírus humano 8 (HHV-8), fatores genéticos, imunológicos e ambientais geralmente são também necessários para o seu desenvolvimento, sendo conhecidas 4 variantes clínico-epidemiológicas da doença: clássica, africana, associada à AIDS e iatrogênica. A variante que comumente acomete pacientes no período pós-transplante é a iatrogênica, devido às terapias imunossupressoras.

Clinical History

Paciente de 51 anos, sexo masculino, pardo, aposentado, com histórico de hipertensão arterial sistêmica, obesidade, dislipidemia e nefropatia crônica por doença de Berger (glomerulopatia por IgA), em diálise peritoneal durante 5 anos. Submetido a transplante renal (doador cadáver) há 9 meses, em uso de drogas imunossupressoras desde então (tacrolimo e micofenolato), evoluiu com piora abrupta da função renal (creatininas séricas: novembro/2017 = 1,38 mg/dl; dezembro/2017 = 2,44 mg/dl). Paciente com sorologias negativas para HIV, hepatites e sífilis. Doador com VDRL positivo.

Radiological findings

Realizada inicialmente ultrassonografia (US) com Doppler devido à piora da função renal, que evidenciou aumento dos picos de velocidade sistólica (PVS) da artéria do rim transplantado (velocidade máxima ≅ 315 cm/s), do índice reno-ilíaco (índice ≅ 2,8) e do índice de resistência (IR) das artérias intrarrenais (IR ≅ 0,87), além de espessamento irregular da parede lateral esquerda da bexiga (figura 1), sendo sugerido o prosseguimento da investigação. Foram realizadas tanto tomografia computadorizada (TC) como ressonância magnética (RM), que não evidenciaram estenose da artéria renal do enxerto, confirmaram a presença de espessamento parietal irregular vesical e, ademais, identificaram lesão expansiva infiltrativa, irregular, de limites mal definidos e de difícil mensuração, centrada no sistema coletor do rim transplantado, notadamente em seu terço médio e polo inferior, estendendo-se para o parênquima e seio renais (figuras 2 e 3). Resultados anatomopatológicos das biópsias vesical e do rim transplantado, respectivamente: cistite glandular e Sarcoma de Kaposi (estudo imuno-histoquímico com positividade forte para HHV-8).

Discussion

Malignidade é a terceira causa mais comum de morte em receptores de transplante renal, depois de eventos cardiovasculares e infecções, com risco de câncer nesses pacientes 3 a 5 vezes maior que na população geral, sendo que alguns tipos de neoplasias malignas podem ter incidência muito mais elevada [1], como é o caso do SK, que apesar de incomum na população [2], possui incidência até 400 a 500 vezes maior em pacientes submetidos a transplante renal [3], podendo corresponder a até 80% de todas as malignidades dos receptores em países em desenvolvimento [2]. Embora seja frequente o SK na forma cutânea, o envolvimento visceral é incomum, sendo extremamente raro no enxerto renal [4]. O prognóstico é favorável quando o acometimento é exclusivamente cutâneo, ao passo que a mortalidade é alta quando há envolvimento visceral [3]. Câncer de pele não-melanoma, linfoma e câncer de cólon são exemplos de neoplasias malignas com maior incidência geral no período pós-transplante renal, entretanto, malignidades que mais comumente acometem o enxerto renal são os carcinomas de células renais (CCR), carcinomas de células transicionais (CCT), desordens linfoproliferativas pós-transplante (DLPT) e sarcomas [1]. No rim transplantado, o SK tipicamente tem localização central, é homogêneo e tem aspecto infiltrativo, envolvendo o sistema coletor, hilo e seio renais [5]. As DLPT tendem a se manifestar como massa com baixo sinal em T1 e em T2 à RM, sem realce pós-contraste significativo, que infiltra ou envolve o hilo renal, causando hidronefrose [1]. CCR raramente têm aspecto infiltrativo, apresentando-se classicamente como massas corticais esféricas, de aspecto expansivo, determinando protuberâncias além do contorno renal, bem definidas em relação ao parênquima renal adjacente em fases pós-contraste, na grande maioria das vezes hipervasculares [6]. Os CCT surgem tipicamente como massa intraluminal focal no sistema coletor renal, mais comumente na pelve, seguida por regiões infundibulares e caliciais, em uma minoria das vezes adquirindo aspecto infiltrativo e com extensão centrífuga, alterando a arquitetura regional do seio e do parênquima renais adjacentes, sem deformar o contorno do órgão [6]. Exames de US rotineiros no período pós-transplante renal têm papel importante na detecção precoce de malignidades no enxerto, visto que a elevação do IR das artérias intrarrenais pode ser inicialmente o único indício da presença de uma neoplasia, devendo-se neste caso discutir a necessidade do prosseguimento da investigação [1].

List of Advantages

  • Carcinoma de células renais
  • Carcinoma de células transicionais
  • Desordem linfoproliferativa pós-transplante
  • Sarcomas

Diagnosis

  • Sarcoma de Kaposi em rim transplantado (variante iatrogênica)

Learning

O SK deve ser lembrado no diagnóstico diferencial de lesões expansivas infiltrativas acometendo o sistema coletor, parênquima e seio renais do enxerto em pacientes receptores no período pós-transplante.

References

  • 1. Sugi MD, Joshi G, Maddu KK, Dahiya N, Menias CO. Imaging of Renal Transplant Complications throughout the Life of the Allograft: Comprehensive Multimodality Review. Radiographics. 2019;39(5):1327-1355.
  • 2. Moosa MR. Kaposi's sarcoma in kidney transplant recipients: a 23-year experience. QJM. 2005;98(3):205-214.
  • 3. Zavos G, Moris D, Vernadakis S, et al. Incidence and management of Kaposi sarcoma in renal transplant recipients: the Greek experience. Transplant Proc. 2014;46(9):3199-3202.
  • 4. Einollahi B, Rostami Z, Nourbala MH, et al. Incidence of malignancy after living kidney transplantation: a multicenter study from iran. J Cancer. 2012;3:246-256.
  • 5. Díaz-Candamio MJ, Pombo F, Lorenzo MJ, Alonso A. Kaposi's sarcoma involving a transplanted kidney: CT findings. AJR Am J Roentgenol. 1998;171(4):1073-1074.
  • 6. Dyer R, DiSantis DJ, McClennan BL. Simplified imaging approach for evaluation of the solid renal mass in adults. Radiology. 2008;247(2):331-343.

Case Information

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