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Tórax

RELATO DE CASO: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE COVID 19 E ATRESIA BRÔNQUICA CONGÊNITA

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Destaque
Tipo Caso 1
  • Tamires Hortêncio Alvarenga - FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIANGULO MINEIRO
  • Aline Magalhães Rodrigues - FACULDADE BRASILEIRA
  • Gesner Pereira Lopes - FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIANGULO MINEIRO
Luis Ronan M F de Souza - FACULDADE DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO TRIANGULO MINEIRO
Email: luis.souza@uftm.edu.br
3/9/2021
8/11/2021
Masculino , 30 anos
Atresia Pulmonar, Infecções por Coronavirus, Anormalidades Congênitas, Tomografia

Abstract

Paciente do sexo masculino, 30 anos procurou pronto atendimento com dor no peito há 1 mês, que se intensificou há 1 semana. Suspeitou-se inicialmente de infecção por COVID-19 devido surto de casos na localidade. O paciente foi submetido a tomografia computadorizada de tórax sem contraste sem achados relacionados à infecção viral aguda mas compatível com atresia brônquica congênita, condição congênita pouco frequente, geralmente um achado incidental, em que a luz brônquica está obstruída.

Clinical History

Paciente do sexo masculino, 30 anos, sem queixa tosse ou febre, procurou pronto atendimento com dor no peito há 1 mês que se intensificou há 1 semana. Suspeitou-se inicialmente de infecção por COVID-19 devido ao fato de o episódio ter ocorrido durante a surto de casos na localidade. O paciente foi submetido a uma tomografia computadorizada (TC) de tórax sem contraste que evidenciou padrões de imagem compatíveis com atresia brônquica congênita, sem achados relacionados à infecção viral aguda.

Radiological findings

A tomografia computadorizada de tórax, sem contraste, foi realizada em equipamento de 16 canais, nos planos coronal (figura 1), sagital (figura 2) e axial (figura 3). Evidenciou-se uma hipertransparência expansiva associado à redução vascular e imagens nodulares arredondadas e ramificadas no lobo superior direito. Os demais segmentos pulmonares apresentavam coeficiente de atenuação normal. A porção terminal do brônquio segmentar súpero-posterior possuía opacidade ovalada e o parênquima adjacente apresentava-se hipoatenuante quando comparado ao seu entorno. Também era possível ainda visualizar a rarefação (menor densidade) do conteúdo vascular que supre essa mesma área; isto é, uma oligoemia local. A área de hiperinsuflação peribrônquica combinada com a presença de mucocele e obstrução da via aérea proximalmente a esse ponto sugerem fortemente o diagnóstico de atresia brônquica.

Discussion

A atresia brônquica é uma condição congênita e pouco frequente em que a luz brônquica é obstruída, interrompendo sua comunicação com a árvore pulmonar central. Em alguns casos, a atresia brônquica pode ser adquirida após o nascimento devido a um insulto traumático e, em outros, após um quadro inflamatório do brônquio. Os segmentos distais à obliteração brônquica são ventilados por meio de vias aéreas constituídas pelos canais colaterais (poros de Kohn, canais de Lambert e canais de Martin) [1]. Desse modo, o parênquima pulmonar dessas porções não é atelectásico, mas enfisematoso, ou seja, há hipoatenuação ou hipertransparência do parênquima conectado ao segmento atrésico. Esse aspecto mostra-se mais evidente durante a expiração, momento do ciclo respiratório em que as vias aéreas são menos eficientes em manter o fluxo pelos segmentos acometidos. Seguindo a sequência desencadeada pelos mecanismos fisiológicos que operam nesse sistema, o espaço não ventilado diretamente torna-se também hipovascularizado, levando à hipoatenuação das marcas vasculares (oligoemia) nas imagens obtidas desses pacientes. Por outro lado, o fato de as glândulas submucosas e as células de “Globet” distais ao ponto de obstrução continuarem a secretar seus produtos [1] viabiliza a impactação mucoide e a dilatação progressiva dos brônquios atrésicos com a formação de broncocele. Essa patologia é mais frequentemente observada em lobos superiores, sendo a lateralidade das lesões variável entre as amostras utilizadas por diferentes estudos. No entanto, o acometimento tende a ser unilateral em quase todos os casos, com predomínio de mucoceles ramificadas, de forma ovalada/arredondada e que apresentam conteúdo líquido [2]. No geral é uma condição assintomática, sendo, em mais de 50% dos casos, um achado incidental já na idade adulta [3]. Mas, quando os sintomas estão presentes, estes são inespecíficos e consistem em episódios recorrentes de tosse, taquipneia e dispneia, manifestando-se comumente logo no início da vida [4,5].

List of Advantages

  • Covid-19
  • Seqüestro pulmonar
  • Síndrome de Swyer James e McLeod
  • Enfisema infantil
  • Neoplasia
  • Doença granulomatosa
  • Aspiração de corpo estranho
  • Broncolitíase
  • Embolia pulmonar
  • Aspergilose broncopulmonar alérgica
  • Cisto broncogênico

Diagnosis

  • Atresia brônquica congênita.

Learning

A Atresia Brônquica Congênita geralmente se apresenta assintomática, mas sintomas respiratórios, associados ou não à infecções, podem estar presentes e serem confundidos com outros diagnósticos diferenciais, tais como Covid-19 em meio a pandemia de Sars-Cov-2. O diagnóstico e acompanhamento do desenvolvimento é feito com a Tomografia Computadorizada de tórax com a identificação de impactação mucoide, associada à presença de oligoemia local e hiperinsuflação do parênquima pulmonar adjacente.

References

  • 1. Neu AS, Menezes RE, Ilha DO, Maciel AC, Castro RFP. Aspectos radiológicos da atresia brônquica: relato de três casos e revisão da literatura. Radiologia Brasileira 2003; 36(1): 47-51.
  • 2. Di Puglia EBM, Rodrigues RS, Daltro PA, et al. Tomographic findings in bronchial atresia. Radiologia Brasileira 2021; 54(1):9-14.
  • 3. Berrocal T, Madrid C, Novo S, Gutiérrez J, Arjonilla A, Gómez-León N. Congenital Anomalies of the Tracheobronchial Tree, Lung, and Mediastinum: embryology, radiology, and pathology. Radiographics 2004; 24(1):e17-e17
  • 4. Cáceres J, Mata J, Palmer J, Zidan A, Donoso L. General case of the day: Congenital bronchial atresia. Radiographics 1991; 11(6): 1143-1145.
  • 5. Faure ACM, Barreto APA, Pereira CAC, Silva COS. Atresia brônquica congênita: relato de dois casos. Contribuição da tomografia computadorizada ao diagnóstico. Jornal de Pneumologia 2000; 26(3): 142-144.

Case Information

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