Case data

Tórax

Coronavírus

COVID-19: RELATO DE CASO COM ACHADOS TOMOGRÁFICOS PULMONARES EVOLUTIVOS

121
Selecionado
Tipo Caso 1
  • RODOLFO MENDES QUEIROZ - Hospital A
  • RODRIGO CASTRO CERVATO - Hospital A
  • BÁRBARA LAPA RIOS - Faculdade X
  • MICHELA GOMES QUEIROZ - Faculdade X
-
4/20/2020
5/26/2020
Feminino , 42 anos
Síndrome Respiratória Aguda Grave, Infecções por Coronavirus, Tomografia Computadorizada Multidetectores, Pneumonia Viral

Abstract

Descrevemos o caso de uma mulher, 42 anos, previamente hígida, queixando-se de tosse, febre e dispneia há 2 dias. Radiografia do tórax sem alterações detectáveis. Tomografia computadorizada (TC) torácica evidenciou opacidade em “ vidro fosco” com padrões simples e complexos, compatíveis com processo inflamatório/infeccioso de etiologia viral, apresentando piora progressiva e evoluindo para consolidações nas TCs subsequentes. Após outros exames laboratoriais, detectou-se IgG+ para COVID-19.

Clinical History

Paciente do gênero feminino, 42 anos, previamente hígida, queixando-se de tosse, febre e dispneia há 2 dias. Ao exame físico, apresentava discreto aumento da frequência respiratória, com temperatura axilar de 38,2 graus Celsius, sem anormalidades na ausculta pulmonar e com saturação de oxigênio de 96%. Hemograma, Urina I, creatinina e glicemia sem alterações. Sorologias para COVID-19 negativas. No decorrer de 5 dias, a paciente apresentou piora clínica e tomográfica progressiva, sendo necessário intubação orotraqueal com ventilação mecânica auxiliar. Após outros exames laboratoriais, detectou-se IgG+ para COVID-19. No décimo primeiro dia de internação (décimo terceiro dia após o início dos sintomas) a paciente apresentou melhora do quadro clínico e respiratório, não sendo necessário mais a referida respiração assistida.

Radiological findings

Tomografia computadorizada (TC) do tórax realizada na admissão da paciente (no segundo dia após o início dos sintomas), sem a administração endovenosa de meio de contraste, mostrando no terço inferior dos pulmões algumas opacidades em "vidro fosco" esparsas, acometendo até 25% dos campos pulmonares (discreta extensão), sendo algumas subpleurais, uma delas margeada por fina consolidação linear configurando o sinal do "halo invertido" (Figura 1). TC torácica realizada no quarto dia de internação (no sexto dia após o início dos sintomas), sem a administração endovenosa de meio de contraste, caracterizando aumento em número e extensão das áreas com atenuação em "vidro fosco", acompanhadas de consolidações com ou sem broncogramas aéreos, ainda predominando nas regiões periféricas e posteriores dos terços inferiores dos pulmões (Figura 2). TC realizada no décimo dia de internação (décimo segundo dia após o início dos sintomas), sem a administração endovenosa de meio de contraste, evidenciando o surgimento de consolidações principalmente nas topografias periféricas e subpleurais dos terços pulmonares inferiores (Figura 3), onde eram identificadas previamente as atenuações em “vidro fosco”.

Discussion

Os achados do COVID-19 quando presentes no exame de TC, embora inespecíficos, podem apresentar padrões diversos dependendo do estágio da doença. Nas fases assintomáticas e oligossintomáticas, muitas vezes não são encontradas anormalidades nesse tipo de estudo. Em até uma semana de sintomas, período no qual é possível obter uma alta sensibilidade na sua detecção na TC, é comum a presença de opacidades pulmonares bilaterais em “vidro fosco”, predominando nas porções periféricas/subpleurais das regiões basais e posteriores, que frequentemente evoluem para consolidações nas mesmas topografias dentro da segunda semana sintomatológica. Durante a progressão das referidas alterações não é raro se identificar padrões complexos com atenuações em “vidro fosco”, tais como a sua associação com espessamento liso dos septos interlobulares, conhecido como “pavimentação em mosaico”; ou focos circundados totalmente ou em sua maior parte por finas opacidades de aspecto consolidativo, configurando o “sinal do halo invertido”. Entretanto, uma parcela expressiva de pacientes portadores de COVID-19 não irão exibir alterações no exame tomográfico do tórax durante todo o curso da doença, além do mais o seu papel em predizer uma evolução desfavorável ainda não foi bem estabelecido devido a muitos casos apresentarem dissociação clinico-radiológica(1-7).

List of Advantages

  • pneumonia em organização
  • Infecção por H1N1
  • Outras pneumonias virais

Diagnosis

  • COVID-19

Learning

A TC tem papel de destaque na triagem de casos suspeitos de COVID-19, sendo possível em algumas situações estimar o estágio da doença, contudo a sua utilização para antever condutas e/ou evoluções clínicas ainda não foi bem definida.

References

  • 1. Ai T, Yang Z, Hou H, Zhan C, Chen C, Lv W, Tao Q, Sun Z, Xia L. Correlation of Chest CT and RT-PCR Testing in Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) in China: A Report of 1014 Cases. Radiology. 2020 Feb 26:200642. doi: 10.1148/radiol.2020200642.
  • 2. Li Y, Xia L. Coronavirus Disease 2019 (COVID-19): Role of Chest CT in Diagnosis and Management. AJR Am J Roentgenol. 2020 Mar 4:1-7. doi: 10.2214/AJR.20.22954.
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  • 7. Barbosa PNVP, Bitencourt AGV, Miranda GD, Almeida MFA, Chojniak R. Chest CT accuracy in the diagnosis of SARS-CoV-2 infection: initial experience in a cancer center. Radiol Bras. 2020.

Case Information

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