Cibelle Ingrid Estevão de-Melo1; Leticia Paiva Cindra2; Luara Lis Barbosa Boson3; Matheus Chagas de Lima Manzalli Guimarães4
DOI: 10.5935/2965-1980.2026v5e202600107
Abstracto
Schwannomas são tumores benignos originados das células de Schwann, podendo surgir em qualquer nervo periférico. Reportamos um caso de nódulo na face anterior do joelho, com realização de ultrassonografia e confirmação diagnóstica com anatomopatológico.
HISTÓRICO CLÍNICO
Paciente masculino, 12 anos, previamente saudável, apresentou queixa de nódulo indolor na face anterior do joelho esquerdo com surgimento há 6 meses. O exame físico revelou uma massa subcutânea, móvel e firme, sem sinais de inflamação.
ACHADOS RADIOLÓGICOS
A ultrassonografia com transdutor linear de alta frequência mostrou um nódulo hipoecoico, bem delimitado, de contornos lobulados, com dimensões de 2,0 x 2,0 x 1,2 cm (CC x AP x LL), com profundidade máxima de 2,2 cm. Observou-se vascularização interna ao Doppler colorido. A lesão estava localizada entre a derme e o tecido subcutâneo, abaulando a epiderme sem invadi-la (Figuras 1 a 3). Os achados eram sugestivos de um tumor de bainha nervosa periférica, embora a hipótese inicial incluísse cisto epidérmico ou lipoma. O paciente foi submetido à excisão cirúrgica do nódulo, com preservação das estruturas adjacentes. O exame histopatológico revelou proliferação de células fusiformes organizadas em padrões Antoni A e Antoni B, com positividade para S-100 na imunohistoquímica, confirmando o diagnóstico de schwannoma [1,2] (Figura 4).
DISCUSSÃO
Schwannomas são tumores benignos originados das células de Schwann, podendo surgir em qualquer nervo periférico. Embora frequentemente encontrados em nervos maiores dos membros superiores e inferiores, sua ocorrência na região anterior do joelho é incomum. Estudos demonstram que esses tumores geralmente se apresentam como massas de crescimento lento, assintomáticas ou causando compressão nervosa. Uma revisão retrospectiva mostrou que 32,6% dos schwannomas periféricos ocorrem nas extremidades, sendo mais comuns nas regiões flexoras, mas com casos raros em regiões extensoras, como o joelho anterior [3, 4]. Schwannomas em regiões superficiais como a face anterior do joelho são raros, especialmente em pacientes pediátricos [5]. Estudos indicam que a ultrassonografia apresenta sensibilidade de 66,67% para massas neurogênicas, enquanto a ressonância magnética é mais precisa, com 79,83% de acurácia no diagnóstico de tumores neurogênicos [6]. Schwannomas geralmente são bem delimitados, encapsulados e com padrões histológicos característicos, como as áreas Antoni A (hipercelulares) e Antoni B (hipocelulares) [7]. Sua descrição ultrassonográfica é variável. Na sua maioria, são homogêneos e hipoecoicos, mas podem apresentar reforço acústico posterior, centro hiperecoico e periferia hipoecoica, e com vascularização ao Doppler [8]. A identificação do nervo de origem do schwannoma por ultrassonografia provavelmente aumenta a confiança no diagnóstico desses tumores. Os schwannomas na derme são ainda mais raros, com poucos casos descritos na literatura. Esses tumores geralmente se apresentam como massas pequenas e circunscritas, sendo incomum que acometam exclusivamente a derme [9]. No caso descrito, embora o tumor não fosse restrito à derme, ele acometia essa camada ao mesmo tempo em que envolvia o tecido subcutâneo. Esse aspecto reforça a singularidade do caso e a necessidade de uma análise detalhada por exames de imagem e histopatológicos. Embora raros em extremidades inferiores, principalmente na região anterior do joelho, esses tumores devem ser considerados em casos de massas subcutâneas com vascularização interna. A histopatologia é fundamental para o diagnóstico definitivo, com imunopositividade para S-100 sendo um marcador confiável [10]. O manejo cirúrgico é o tratamento de escolha, com altas taxas de sucesso e raros casos de recidiva [6]. Complicações pós-operatórias são incomuns e geralmente transitórias, como hipoestesia ou parestesia temporária devido à manipulação nervosa [2].
DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS
Cisto epidérmico;
Lipoma;
Neurofibroma;
O QUE APRENDI COM ESTE CASO?
Este relato reforça a necessidade de incluir schwannomas no diagnóstico diferencial de nódulos subcutâneos, mesmo em localizações raras e em pacientes jovens. A ultrassonografia desempenhou papel crucial no reconhecimento das características do tumor, orientando o manejo cirúrgico adequado. Estudos adicionais sobre a apresentação clínica e evolução de schwannomas pediátricos em localizações incomuns podem contribuir para o aprimoramento do diagnóstico e tratamento.
REFERÊNCIAS
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2. Galbiatti JA, et al. Análise retrospectiva de 20 pacientes acometidos por schwannoma nos membros superior e inferior. Rev Bras Ortop. 2020;55(5):629–636.
3. Das Gupta TK, Brasfield RD, Strong EW, Hajdu SI. Benign solitary Schwannomas (neurilemomas). Cancer. 1969;24:355–66. doi:10.1002/1097-0142(196908)24:2<355::aid-cncr2820240218>3.0.co;2-2
4. Zhou H, Jiang S, Ma F, Lu H. Peripheral nerve tumors of the hand: clinical features, diagnosis, and treatment. World J Clin Cases. 2020;8:5086–98. doi:10.12998/wjcc.v8.i21.5086
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7. Beaman FD, Kransdorf MJ, Menke DM. Schwannoma: radiologic‑pathologic correlation. Radiographics. 2004;24(5):1477–1481. doi:10.1148/rg.245045001
8. Reynolds DL, et al. Sonographic characteristics of peripheral nerve sheath tumors. AJR Am J Roentgenol. 2004;182:741–744.
9. Kneitz H, et al. Dermal Schwannoma (Neurilemmoma): A Peculiar Foreign Body Reaction? Am J Dermatopathol. 2010;32(4):367–369.
10. Belakhoua SM, Rodriguez FJ. Diagnostic pathology of tumors of peripheral nerve. Neurosurgery. 2021;88:443–456. doi:10.1093/neuros/nyab021
IMAGENS


Artículo recibido en lunes, 26 de enero de 2026
Artículo aceptado el domingo, 28 de junio de 2026
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