• ISSN (On-line) 2965-1980

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Urorradiologia

Hemangioma adrenal: achados característicos na tomografia computadorizada e ressonância magnética - relato de caso

Amilson Guilherme Silva; Lucas Novais Bomfim

DOI: 10.5935/2965-1980.2026v5e2026099

Resumo

Paciente com dor abdominal, apresentando lesão nodular na adrenal esquerda visto no exame de Tomografia computadorizada (TC) e na Ressonância Magnética (RM), sem componente adiposo macroscópico ou intracelular, com realce periférico e descontínuo na fase arterial, compatível com hemangioma de adrenal. O caso ilustra achados típicos dessa rara entidade benigna.

HISTÓRICO CLÍNICO

Paciente de 54 anos com dor abdominal, apresentou lesão nodular na adrenal esquerda visto no exame de TC, sendo realizada RM para melhor avaliação e definição diagnóstica.

 

ACHADOS RADIOLÓGICOS:

Na TC a lesão nodular na adrenal esquerda, mede 3,7 x 2,7 cm, possuindo densidade de 32 UH na fase sem contraste com realce periférico descontínuo na fase arterial e tendência a homogeneização nas fases subsequentes (figura 1). Na RM o respectivo nódulo possui hiposinal em T1, hipersinal em T2 (Figuras 2 e 3), com finas septações em permeio, sem componente de gordura macroscópica (figura 2) ou intracelular, achado evidenciado pela ausência da queda de sinal na sequência com saturação de gordura e fora de fase (figura 3), com leve restrição na sequência em difusão (figura 4). A lesão possui realce globular periférico e descontínuo na fase arterial (figura 5), com tendência à homogeneização nas fases subsequentes, compatível com hemangioma.

 

DISCUSSÃO

Os hemangiomas adrenais constituem malformações vasculares raras, de natureza benigna, originadas a partir de células endoteliais que revestem os vasos sanguíneos da glândula adrenal. Sua etiologia permanece incerta, com seu crescimento está mais relacionado à ectasia vascular do que à proliferação celular propriamente dita.[1] A detecção dos hemangiomas adrenais tem se tornado mais frequente devido ao avanço e à ampla utilização de exames de imagem, principalmente TC e RM. A maioria dos casos é assintomática e de descoberta incidental. A faixa etária predominante para o diagnóstico situa-se entre 50 e 70 anos, com predomínio do sexo feminino, em proporção de 2:1. [1,2,3] Em geral, os hemangiomas adrenais são unilaterais, não funcionantes e apresentam crescimento lento. Lesões menores que 2 cm costumam ser assintomáticas e podem permanecer clinicamente silenciosas por longos períodos. No entanto, tumores maiores podem causar sintomas decorrentes de efeito de massa, como dor abdominal, ou mesmo complicações mais graves, como hemorragia retroperitoneal secundária à ruptura espontânea. Casos funcionantes são extremamente raros. A distinção entre um hemangioma adrenal e uma neoplasia maligna representa um dos principais desafios clínicos, sobretudo em casos de lesões volumosas. Embora os hemangiomas apresentem um padrão radiológico relativamente característico com realce periférico na fase arterial e enchimento centrípeto progressivo nas fases venosa e tardia [1,5], a sobreposição de achados de imagem com tumores malignos dificulta o diagnóstico definitivo apenas por métodos não invasivos. Achados como heterogeneidade, calcificações, necrose, ausência de gordura intralesional [2,3] e washout prolongado podem simular carcinomas adrenocorticais ou metástases de tumores extra-adrenais . Nessa perspectiva, o tamanho do tumor é considerado um importante marcador de risco. Enquanto lesões menores que 4 cm podem ser apenas acompanhadas, massas superiores a 5 cm apresentam maior probabilidade de malignidade, com taxas que variam entre 35% e 98%, conforme a literatura. Diretrizes clínicas recomendam a ressecção cirúrgica de lesões maiores que 4 a 5 cm, de massas funcionantes, sintomáticas, com características suspeitas nos exames de imagem ou quando houver histórico oncológico preexistente, o diagnóstico final é dado pelo histopatológico.

 

DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS

• Adenoma de adrenal (Geralmente apresenta conteúdo lipídico intralesional, com queda de sinal nas sequências fora de fase ou washout rápido após contraste).

• Carcinoma de adrenal (Costuma ser uma massa volumosa, heterogênea, com áreas de necrose, invasão local e padrão de realce irregular).

• Feocromocitoma (Tipicamente demonstra hipersinal em T2 e realce intenso, porém mais difuso e precoce).

 

O QUE APRENDI COM ESTE CASO?

O hemangioma é uma entidade relativamente frequente no fígado; entretanto, em outras localizações é raro, especialmente na adrenal. O hemangioma adrenal constitui uma apresentação incomum, de grande relevância diagnóstica, uma vez que pode simular lesões benignas e malignas, impactando diretamente a conduta clínica e terapêutica dos pacientes.

 

REFERÊNCIAS

1. Wang L, Dang Y, He R, Chen G. Rare cavernous hemangioma of adrenal gland: case report. São Paulo Med J. 2014;132(4):249-52.

2. Zemni I, Haddad S, Hlali A, Manai MH, Essoussi M. Adrenal gland hemangioma: a rare case of the incidentaloma: case report. Int J Surg Case Rep. 2017;41:417-22.

3. Gómez PL, Gonzalez MP, Pérez AG, Delgado LAM. Adrenal gland haemangioma, a rare entity difficult to differentiate from malignancy. BJR Case Rep. 2024;10(5).

 

IMAGENS


Figura 1: TC de abdome evidenciando uma lesão nodular com densidade de 32 UH na adrenal esquerda (A) com realce periférico e descontínuo na fase arterial (B) com tendência a homogeneização na fase portal e tardia (C), com padrão de imagem sugestivo de hemangioma.

 

 


Figura 2: RM em plano axial em T2 (A) e T2 com saturação de gordura (B) - Nódulo na adrenal esquerda, com hipersinal em T2 e com finas septações, sem componente adiposo macroscópico.

 

 


Figura 3: RM em plano axial em T1 em fase (A) e T1 fora de fase (B) - A lesão não demonstrou queda do sinal na sequência fora de fase, o que evidencia ausência de componente de gordura intracelular.

 

 


Figura 4: RM em plano axial em DWI (A) e ADC (B)- A lesão apresentava uma leve restrição periférica na sequência de difusão.

 

 


Figura 5: RM em plano axial, sequência ponderada em T1, sem contraste (A), arterial (B), portal (C) e tardia (D) - Lesão na adrenal esquerda com realce globular periférico e descontínuo na fase arterial com tendência a homogeneização nas fases subsequentes, com padrão de imagem sugestivo de hemangioma.

Artigo recebido em sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Artigo aprovado em quinta-feira, 9 de abril de 2026

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