• ISSN (On-line) 2965-1980

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Head and Neck

Pedro Ribeiro1; Beatriz Menezes2; Débora Viana3; Maria Landim4

DOI: 10.5935/2965-1980.v4e20250053

Abstract

Mulher, portadora de doença multinodular da tireoide, evolui com quadro de dor e abaulamento cervical anterior de início súbito. Realizada suspeita clínica inicial de tireoidite sendo solicitada ultrassonografia (USG) que revelou sangramento agudo em nódulo tireoidiano.

HISTÓRICO CLÍNICO

Paciente do sexo feminino, 71 anos, portadora de doença multinodular da tireoide, sem diagnóstico de doenças crônicas, foi admitida na emergência com quadro de dor e abaulamento cervical anteriores iniciados há 24 horas. Evoluiu com melhora clínica após realização de punção aspirativa com agulha fina com retorno de conteúdo sero-hemorrágico.

 

ACHADOS RADIOLÓGICOS

Ultrassonografia cervical (Figura 1 e 2) realizada no atendimento emergencial demonstrou nódulo marcadamente hipoecoico, situado no lobo esquerdo da tireoide, apresentando alteração do padrão da ecogenicidade e aumento de dimensões, quando comparado com estudo ecográfico prévio (Figura 3), realizado há 07 meses da admissão, durante acompanhamento ambulatorial. O estudo Doppler complementar (Figura 3) evidenciou sinais de vascularização exclusivamente periférica. Realizada punção aspirativa com agulha fina (PAAF) do nódulo descrito, com retorno de conteúdo sero-hemorrágico. Estudo citológico foi sugestivo de nódulo folicular benigno (Classe II do Sistema de Bethesda).

 

DISCUSSÃO

A hemorragia aguda da tireoide é um evento raro, com curso clínico autolimitado e benigno, podendo, eventualmente, evoluir com sangramento maciço, obstrução de vias aéreas e necessidade de intervenção cirúrgica imediata. Ademais, o sangramento tireoidiano pode ser a apresentação inicial de lesão maligna (1). Anticoagulação, trauma, complicações de procedimentos de biópsia e aumento da pressão intravascular desencadeados por tosse, engasgo com comida e manobra de Valsalva são fatores associados e descritos na literatura (2). As manifestações clínicas decorrentes da hemorragia intratireoidiana espontânea são diversas, podendo se apresentar tanto de maneira assintomática quanto com grave comprometimento das vias aéreas. O quadro clínico se relaciona com o tamanho do hematoma e os principais sintomas são disfagia, dispneia e edema na região cervical anterior (3). A doença nodular tireoidiana é uma condição frequente na prática médica, embora seja incomum a sua apresentação em contexto emergencial, como condição aguda e potencialmente fatal (2). Nódulos tireoidianos, sejam benignos ou malignos, e aqueles com componentes císticos são também possíveis fatores de risco para hemorragia em decorrência de alteração anatômica dos vasos, fragilidade venosa, além de possíveis “shunts” arteriovenosos de alta pressão presentes nos nódulos (4).

 

DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS

• Tireoidite subaguda

• Degeneração cística de nódulo sólido tireoidiano

• Cisto tireoglosso infectado

• Adenoma funcionante da paratireoide

O QUE EU APRENDI COM ESSE CASO

Este caso realça a necessidade de considerar o sangramento tireoidiano como diagnóstico diferencial de condições agudas do pescoço, notadamente em pacientes portadores de doença nodular da tireoide e a importância da realização de métodos de imagem, sendo a USG um exame inicial obrigatório para o diagnóstico adequado e diferencial.

 

REFERÊNCIAS

1. REN, J. et al. Degenerating Thyroid Nodules: Ultrasound Diagnosis, Clinical Significance, and Management. Korean Journal of Radiology, v. 20, n. 6, p. 947, 2019.

2. HAZAN BAŞAK et al. Management of a Spontaneous Thyroid Nodule Hemorrhage Causing Acute Airway Obstruction. Türk otolarengoloji arşivi, v. 59, n. 4, p. 289–291, 1 dez. 2021.

3. PANG, W.; JIN, X.; WANG, J. A rare case of the hemorrhagic thyroid nodule resulting in airway obstruction. Asian journal of surgery, v. 46, n. 11, p. 5244–5245, 1 nov. 2023.

4. SAHIN SB et al. Syncope in a patient with spontaneous hemorrhage into a thyroid nodule. PubMed, v. 18, n. 2, p. 177–9, 1 abr. 2014.

 

IMAGENS

 


Figura 1: Estudo ecográfico da tireoide realizado no dia 21/03/2024 destaca mudança na ecogenicidade do nódulo identificado em estudo prévio (Figura 1), assumindo padrão predominantemente hipoecoico.

 

 


Figura 2: O estudo doppler complementar ao exame ecográfico do dia 21/03/2024 evidenciou discreta vascularização periférica do nódulo, sem sinais de vascularização intralesional.

 

 


Figura 3:Ultrassonografia 13/07/2023 - Estudo ecográfico da tireoide evidencia nódulo misto, predominantemente sólido, com padrão de ecogenicidade isoecoica ao parênquima glandular e com pequenos focos císticos em permeio, situado no lobo esquerdo.

Article receive on Tuesday, December 10, 2024

Artigo aprovado em Sunday, October 12, 2025

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